Hiroki Odo, o chef japonês que conquistou duas estrelas Michelin com seu restaurante kaiseki no Flatiron — onde o menu-degustação parte de US$ 265 por pessoa —, decidiu fazer algo que poucos chefs de alta cozinha se atrevem a fazer em Nova York: abrir uma versão democrática e acessível do seu conceito. No dia 1º de fevereiro de 2026, abriu as portas o Odo East Village, um "kaiseki izakaya" de 24 lugares instalado em uma charmosa casa de quatro andares na East 5th Street, no coração do Alphabet City. O restaurante opera com menu à la carte (não mais o caríssimo omakase), pratos na maioria abaixo de US$ 20, cardápio 100% gluten-free e uma atmosfera descontraída que resgata o espírito dos izakayas de Tóquio — aqueles bares-restaurantes de bairro onde sarariman (salaryman, trabalhadores assalariados) se reúnem após o expediente para beber sake, comer pequenos pratos e esquecer a rotina. Para o turista brasileiro que quer viver o melhor da culinária japonesa em Nova York sem estourar o orçamento, Odo East Village virou destino obrigatório — e já está com reservas esgotadas até junho.
Quem É Hiroki Odo e o Que É Kaiseki
Para entender a importância da abertura do Odo East Village, é preciso conhecer a trajetória do chef Hiroki Odo. Nascido em Tóquio, formou-se na tradição kaiseki — a mais sofisticada forma de culinária japonesa, comparável em complexidade aos menus-degustação franceses de três estrelas Michelin. O kaiseki é uma sucessão ritualística de 10 a 15 pratos pequenos, cada um celebrando um ingrediente sazonal específico, preparados com técnicas milenares. Após anos trabalhando em Tóquio e Kyoto, Odo chegou a Nova York em 2007 e abriu seu restaurante homônimo no Flatiron em 2017. Em 2019, conquistou a primeira estrela Michelin; em 2023, a segunda. O menu omakase de 15 pratos custa US$ 265 para a sala geral, US$ 325 para o balcão do chef.
O problema? Odo estava frustrado com o fato de que apenas uma minoria privilegiada podia experimentar sua cozinha. "Eu cresci em Tóquio comendo em izakayas de bairro. Era lá que aprendi a respeitar cada ingrediente, mesmo os mais humildes. Queria trazer essa experiência para Nova York, mas a US$ 18, não a US$ 265", explicou o chef em entrevista ao The New York Times. Daí surgiu o Odo East Village.
O conceito "kaiseki izakaya"
O termo "kaiseki izakaya" é novo — inventado pelo próprio Odo. Significa aplicar a mesma qualidade de ingredientes e técnica do kaiseki tradicional, mas em porções individuais, servidas à la carte, em um ambiente casual. O cardápio tem cerca de 35 itens divididos em seções:
- Yasai (vegetais): US$ 10-18
- Sakana (peixe): US$ 14-22
- Niku (carne): US$ 16-24
- Donburi (tigelas de arroz): US$ 18-26
- Noodle bowl (lámen gluten-free): US$ 20
- Sobremesas (wagashi): US$ 8-12
Um jantar completo para duas pessoas — entrada, dois pratos principais, acompanhamentos e sake — fica entre US$ 120 e US$ 160 com bebidas. É uma fração do preço do restaurante original, mas com ingredientes igualmente cuidadosos.
Destaques do Cardápio
Desde a abertura, alguns pratos viraram instant-hits entre críticos e clientes. Resumimos os imperdíveis:
Entradas
- Tofu Daiichi (US$ 12): tofu caseiro feito diariamente na casa, servido com dashi de kombu e shoyu de Wadaman. Cremoso, sedoso, quase uma sobremesa
- Wagyu Tataki (US$ 22): carne A5 de Miyazaki, selada rapidamente, servida com raiz-forte e gergelim torrado
- Toriniku Karaage (US$ 14): frango frito em óleo de arroz, empanado com arrowroot (sem trigo), servido com maionese kewpie picante
Pratos principais
- Hokkaido Scallop Donburi (US$ 26): vieiras gigantes de Hokkaido sobre arroz curado com uni (ouriço-do-mar) e ovas salgadas. A crítica da Eater NY chamou de "o melhor prato de US$ 26 em Manhattan"
- Buta no Kakuni (US$ 18): barriga de porco Berkshire cozida por 8 horas em shoyu, sake e açúcar mascavo. Desmancha na boca
- Kaiseki Shokado Bento (US$ 45): versão deluxe de bento box com 9 compartimentos. A forma mais próxima de experimentar o kaiseki original
"Odo East Village não é apenas o melhor novo restaurante de 2026, é uma declaração política. O chef Hiroki Odo está democratizando a alta cozinha japonesa em Nova York de um jeito que poucos imaginaram possível. Vá agora, antes das filas ficarem impossíveis." — crítica de Pete Wells, The New York Times, fevereiro de 2026
Bebidas: sake, umeshu e sochu
A carta de bebidas foi curada pela sommelière de sake Kaori Yamaguchi e tem mais de 40 rótulos:
- Sake por copo: US$ 10 a US$ 22
- Sake por garrafa (300ml): US$ 45 a US$ 120
- Umeshu (licor de ameixa): US$ 9
- Sochu highballs: US$ 14
- Chá japonês (sem álcool): US$ 5-10
Para brasileiros iniciantes em sake, o staff recomenda começar com o Junmai Daiginjo da Niigata (US$ 14 o copo), considerado o "Dom Pérignon dos sakes" — leve, frutado, fácil de apreciar.
Como Reservar e o Que Saber
Aqui está a parte mais crítica: desde a matéria do Pete Wells no NYT, a casa virou um dos destinos mais disputados de Nova York. As reservas abrem 30 dias antes no Resy e esgotam em minutos. Estratégias para conseguir mesa:
- Resy (resy.com): única plataforma oficial. Abra as reservas às 10h em ponto (horário de NY) 30 dias antes da data desejada
- Lista de espera: Resy tem função "notify me" que avisa se abrirem cancelamentos
- Walk-in: o bar tem 6 lugares reservados para quem chega sem reserva, a partir das 17h. Chegue até 16h30 em dias úteis para garantir
- Dias menos concorridos: terça e quarta à noite têm maior chance de vagas de última hora
Endereço: 123 East 5th Street, New York, NY 10003 (entre 1st Ave e Ave A)
Metrô mais próximo: 2nd Avenue (linha F), 5 min a pé
Horário: Ter-Dom, 17h30 às 23h (fechado segundas)
Reserva: somente via Resy.com
Preço médio por pessoa: US$ 75 a US$ 95 (com bebidas)
Dress code: smart casual
Gluten-free: 100% do menu
Vegetariano: cerca de 40% dos pratos
Pagamento: todos cartões, sem dinheiro
Serviço/gorjeta: 20% automático incluído na conta
Alphabet City: A Vizinhança e o Que Fazer no Entorno
Odo East Village fica no Alphabet City, subbairro do East Village batizado pelas avenidas com letras (A, B, C e D) ao invés de números. Nos anos 1980, a região era conhecida pela cena punk, pelos squats e pelo crack — hoje, é uma das partes mais charmosas de Manhattan, repleta de restaurantes, bares speakeasy, galerias e lojas independentes. Para o turista brasileiro, combinar jantar no Odo com exploração do Alphabet City é programa perfeito para uma noite em NY.
O que fazer antes do jantar (17h-19h)
- Tompkins Square Park: parque histórico onde tudo começou, com gramados e cachorros soltos
- St. Marks Place: rua icônica do East Village, com lojas vintage e tatuadores
- Momofuku Noodle Bar: (se o Odo lotou) o clássico do chef David Chang, também no bairro
O que fazer depois do jantar (22h-02h)
- Please Don't Tell (PDT): um dos bares speakeasy mais famosos de NY, entrada por cabine telefônica em uma hot dog (Crif Dogs). Reserva obrigatória
- Angel's Share: speakeasy japonês, com coquetéis autorais (US$ 18-22). Entrada escondida em restaurante coreano
- Pianos: casa de shows indie com música ao vivo até 4h
- Katz's Delicatessen: (se ficou com fome de novo) o lendário pastrami sandwich, aberto até 3h nos fins de semana
Por Que Brasileiros Devem Conhecer o Odo East Village
Culinária japonesa em Nova York costuma ter dois polos: sushi barato de US$ 12 (que muitas vezes decepciona) ou omakase de US$ 200+ (que é inalcançável para a maioria dos turistas). O Odo East Village resolve esse dilema oferecendo alta cozinha a preços acessíveis. Em pratos como o Hokkaido Scallop Donburi (US$ 26) ou o Kaiseki Shokado Bento (US$ 45), você experimenta técnica e ingredientes de um 2-estrelas-Michelin, pagando o mesmo que pagaria em um restaurante brasileiro de Zona Sul do Rio ou Jardins em São Paulo.
Odo original (Flatiron): US$ 265 pp + bebida + gorjeta = ~US$ 420 por pessoa
Odo East Village: US$ 75-95 pp (com bebida e gorjeta)
Economia: ~US$ 325 por pessoa (aprox. R$ 1.650 ao câmbio atual)
Conversão para brasileiros: um jantar no Odo East Village para casal com sake e sobremesa sai por US$ 170-200 (R$ 860-1.020), o que é o preço de um jantar médio em restaurante premiado em São Paulo ou Rio — mas aqui você experimenta a cozinha de um 2-estrelas-Michelin.
Para quem vai a Nova York de 5 a 7 dias, a sugestão é reservar o Odo East Village como "jantar-destaque" da viagem — uma experiência que vale a pena estruturar a agenda em torno dela. O bairro é lindo, a casa é íntima (apenas 24 lugares garantem atendimento personalizado), e as lembranças são inesquecíveis.
Alternativas japonesas em NY
Se você não conseguir reserva no Odo East Village, outras opções japonesas em Nova York que merecem visita:
- Atomix (Flatiron): coreano com 2 estrelas Michelin, omakase a US$ 395
- Torien (West Village): yakitori premiado, US$ 100 pp
- Sushi Noz (Upper East Side): omakase de US$ 375
- Soba Totto (Midtown): soba artesanal, US$ 30-50 pp
- Rule of Thirds (Williamsburg): izakaya moderno, US$ 40-60 pp
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Hiroki Odo fez história ao democratizar a alta cozinha japonesa em Nova York. O Odo East Village não é apenas mais um restaurante — é um experimento bem-sucedido que vai inspirar outros chefs Michelin a tornar sua arte mais acessível. Para o brasileiro que ama gastronomia e quer conhecer o que há de melhor em NY sem pagar o preço de um menu-degustação tradicional, esta é uma oportunidade imperdível. Reserve no Resy, chegue cedo, peça o sake do Kaori e prepare-se para entender por que Nova York continua sendo a capital gastronômica mundial.
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