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Animais Selvagens em Nova York: Vida Urbana Surpreendente
Curiosidades

Animais Selvagens em Nova York: Vida Urbana Surpreendente

Por Virgilio Pedro1 de abril de 202615 min

Quando você pensa em Nova York, provavelmente imagina arranha-céus, táxis amarelos e multidões apressadas — não falcões-peregrinos caçando pombos a 300 km/h sobre a Fifth Avenue ou coiotes cruzando a ponte da George Washington na calada da noite. Mas Nova York abriga uma vida selvagem surpreendentemente diversa e fascinante, com espécies que aprenderam a coexistir (e até prosperar) na selva urbana mais intensa do mundo. Prepare-se para conhecer os moradores mais inesperados da Big Apple.

Falcões-Peregrinos: Os Caçadores dos Arranha-Céus

Nova York é lar de uma das maiores populações urbanas de falcões-peregrinos (Falco peregrinus) do mundo. Esses predadores extraordinários — os animais mais rápidos do planeta, capazes de atingir mais de 380 km/h em mergulho — descobriram que os arranha-céus de Manhattan são substitutos perfeitos para os penhascos costeiros onde normalmente nidificam.

Casais de falcões-peregrinos estabeleceram ninhos em edifícios icônicos por toda a cidade:

A história dos falcões-peregrinos em Nova York é uma das maiores histórias de sucesso da conservação ambiental americana. Na década de 1960, o uso indiscriminado do pesticida DDT quase extinguiu a espécie — em 1970, não havia um único par de falcões-peregrinos nidificando em todo o leste dos Estados Unidos. Após a proibição do DDT e programas intensivos de reintrodução, a população se recuperou dramaticamente. Hoje, Nova York tem mais de 30 casais reprodutores ativos.

"Os falcões-peregrinos de Nova York são a prova viva de que a natureza pode prosperar nos ambientes mais improváveis — desde que lhe demos uma chance." — Chris Nadareski, biólogo de vida selvagem da NYC Department of Environmental Protection

Coiotes no Central Park (e em Toda a Cidade)

Sim, existem coiotes em Nova York. E não estamos falando de avistamentos raros — os coiotes se estabeleceram firmemente na cidade e são vistos regularmente no Bronx, em Queens, e até em Manhattan. Em 2010, um coiote batizado de "Hal" foi encontrado tomando sol no telhado de um bar em Tribeca, causando sensação na mídia. Em 2015, outro coiote foi filmado passeando tranquilamente pelo teto de um edifício no Queens.

O Central Park, com seus 341 hectares de vegetação, riachos e áreas rochosas, é um habitat particularmente atraente para coiotes. Desde 2020, avistamentos no parque se tornaram relativamente comuns, especialmente nas primeiras horas da manhã e ao entardecer. Os coiotes entram na ilha de Manhattan pelo norte, cruzando pontes ou até nadando pelo rio Harlem.

Os Coiotes São Perigosos?

De modo geral, não. Os coiotes de Nova York são extremamente tímidos e evitam humanos. O Departamento de Parques da cidade aconselha: se você avistar um coiote, mantenha distância, faça barulho (bata palmas, grite) e nunca alimente o animal. Ataques a humanos são extremamente raros — o maior risco é para donos de gatos e cachorros pequenos que os deixam soltos em áreas com avistamentos frequentes.

Golfinhos e Baleias no Porto de Nova York

Uma das revelações mais surpreendentes dos últimos anos é o retorno de golfinhos e baleias às águas ao redor de Nova York. Após décadas de poluição industrial que tornou o porto praticamente morto, os esforços de limpeza do Clean Water Act transformaram as águas de Nova York de forma dramática.

Hoje, golfinhos-nariz-de-garrafa são avistados regularmente no porto de Nova York, no rio Hudson e até no East River. Baleias-jubarte — que chegam a 15 metros de comprimento — são vistas com frequência crescente nas águas ao redor da cidade, especialmente entre maio e novembro.

Em 2020, uma baleia-jubarte foi filmada saltando a poucos metros da Estátua da Liberdade — um vídeo que viralizou e se tornou símbolo da recuperação ambiental do porto. Pesquisadores do Gotham Whale, uma organização que monitora baleias na área de Nova York, documentaram um aumento de mais de 400% nos avistamentos de baleias na última década.

Passeio imperdível: A American Princess Cruises oferece passeios de observação de baleias saindo de Riis Landing, no Rockaway (Queens), de maio a novembro. O tour dura cerca de 4 horas e custa US$ 55 para adultos. A taxa de avistamento de baleias é superior a 90%.

Corujas: As Guardiãs Noturnas do Brooklyn

O Prospect Park, no Brooklyn, abriga uma população permanente de corujas — incluindo a rara coruja-orelhuda (Asio otus) e a majestosa coruja-barrada (Strix varia). No inverno, as corujas-orelhudas formam "dormitórios comunitários" em árvores específicas do parque, onde até 12 corujas podem ser vistas agrupadas nos mesmos galhos.

A descoberta das corujas do Prospect Park criou uma subcultura de "owl-watchers" (observadores de corujas) no Brooklyn — pessoas que se reúnem ao entardecer com binóculos e câmeras para observar as aves. Em 2023, uma coruja-barrada que passou a viver permanentemente no Central Park se tornou celebridade local, atraindo multidões diárias de admiradores que a batizaram de "Barry".

Infelizmente, Barry morreu em 2024 após ser atropelada por um veículo de manutenção no Central Park, provocando uma onda de luto coletivo que fez manchetes em jornais do mundo inteiro. Um memorial foi erguido no local e petições foram criadas para banir veículos motorizados de áreas com vida selvagem no parque.

Pizza Rat: O Animal Mais Famoso de Nova York

Em setembro de 2015, um vídeo de 14 segundos mudou a internet para sempre. Filmado por Matt Little na estação de metrô da 14th Street, o vídeo mostrava um rato arrastando uma fatia inteira de pizza pelas escadas do metrô — recusando-se a desistir mesmo quando a fatia era maior que ele próprio.

"Pizza Rat" se tornou instantaneamente viral, acumulando mais de 11 milhões de visualizações no YouTube em poucos dias. O rato se tornou mascote não-oficial de Nova York, inspirando fantasias de Halloween, memes, camisetas e até um jogo de celular. Para os nova-iorquinos, Pizza Rat era mais do que um vídeo viral — era uma metáfora perfeita para a determinação, resiliência e apetite insaciável da cidade.

A População Real de Ratos em Nova York

A estimativa popular de que Nova York tem "um rato por habitante" (8,3 milhões de ratos) não é cientificamente comprovada. Um estudo de 2014 da Universidade Columbia estimou a população em cerca de 2 milhões — ainda um número impressionante, mas significativamente menor que o mito sugere. A prefeitura gastou mais de US$ 32 milhões em programas de controle de ratos em 2023, incluindo a contratação de um "Director of Rodent Mitigation" (Diretor de Mitigação de Roedores) — um cargo que gerou manchetes hilariantes quando foi anunciado.

Tartarugas Marinhas na Jamaica Bay

A Jamaica Bay Wildlife Refuge, localizada entre Brooklyn e Queens, é um santuário de vida selvagem de 3.600 hectares que parece pertencer mais a uma costa selvagem do que à maior cidade dos Estados Unidos. A reserva abriga mais de 330 espécies de aves e é parada obrigatória para pássaros migratórios na Rota Atlântica.

Ainda mais surpreendente, as águas da Jamaica Bay são habitat de tartarugas marinhas — incluindo a tartaruga-de-couro (a maior espécie de tartaruga marinha do mundo) e a tartaruga-verde. Cavalos-marinhos também foram redescobertos nas águas ao redor de Nova York após décadas de ausência.

Os Gansos do Hudson e o "Miracle on the Hudson"

A população de gansos-do-canadá em Nova York se tornou infame após o "Milagre no Hudson" em 15 de janeiro de 2009, quando o voo 1549 da US Airways colidiu com um bando de gansos logo após a decolagem do LaGuardia Airport. O piloto Chesley "Sully" Sullenberger pousou o avião no rio Hudson, salvando todos os 155 ocupantes, no que se tornou uma das histórias de aviação mais incríveis da história.

Após o incidente, a cidade implementou programas controversos de controle da população de gansos, incluindo a captura e eutanásia de centenas de aves nos parques próximos aos aeroportos. A decisão gerou protestos acalorados de ativistas de direitos dos animais, que argumentavam que existiam alternativas menos drásticas.

Abelhas Urbanas: Os Polinizadores dos Rooftops

Desde 2010, quando a apicultura urbana foi legalizada em Nova York, a cidade se tornou um dos maiores centros de apicultura urbana do mundo. Estima-se que existam mais de 500 colmeias espalhadas por telhados, jardins comunitários e até varandas de apartamentos em toda a cidade.

O mel produzido em Nova York é surpreendentemente diverso — as abelhas visitam flores de mais de 200 espécies de plantas encontradas nos parques e jardins da cidade, produzindo um mel com perfil de sabor único que muda conforme o bairro e a estação do ano. O mel do Central Park tem sabor diferente do mel do Prospect Park, por exemplo.

Onde comprar mel de Nova York: O Union Square Greenmarket (funcionando às segundas, quartas, sextas e sábados) frequentemente tem barracas de apicultores urbanos vendendo mel local. Também é possível encontrar mel de Nova York em lojas especializadas como a Beekeeper's Scratchpad no East Village.

Os Papagaios Selvagens do Brooklyn

Uma das visões mais surreais da vida selvagem nova-iorquina são os bandos de papagaios-monge (Myiopsitta monachus) que vivem no Brooklyn e no Queens. Esses papagaios verde-brilhantes, nativos da América do Sul, supostamente escaparam de um carregamento no Aeroporto JFK nos anos 1960 e 1970 e estabeleceram colônias permanentes na cidade.

Os papagaios construíram ninhos enormes em postes de eletricidade, torres de iluminação e estruturas metálicas por toda a região de Flatbush e Marine Park no Brooklyn. Seus ninhos comunais podem pesar mais de 90 quilogramas e abrigar dezenas de casais. Apesar do clima frio do inverno nova-iorquino, esses pássaros tropicais se adaptaram surpreendentemente bem.

O portão principal do Green-Wood Cemetery, no Brooklyn, é um dos melhores locais para observar os papagaios — eles construíram ninhos nas torres góticas do portão e podem ser vistos (e ouvidos — são barulhentos!) praticamente todos os dias.

Convivência Urbana: Dicas para Turistas

Se você está planejando explorar a vida selvagem de Nova York, aqui vão algumas dicas práticas:

Nova York prova que natureza e urbanização não precisam ser inimigas. Das profundezas do metrô (onde gatos caçam ratos) aos topos dos arranha-céus (onde falcões-peregrinos caçam pombos), a vida selvagem encontrou formas incríveis de se adaptar à cidade mais intensa do mundo. E talvez seja justamente essa capacidade de adaptação — compartilhada por humanos e animais — que faz de Nova York um lugar verdadeiramente extraordinário.

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